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Tuesday, July 22, 2025

Dancers (Kenneth Elvebakk, 2014)


Dancers é um documentário sobre três rapazes de Oslo que se preparam para entrar em grandes escolas de ballet. Dois deles são admitidos pela Academia de Ballet de Oslo e o outro conseguirá entrar para a Royal Academy of Dance, em Londres. O documentário interessa-se pela motivação dos adolescentes, pelo trabalho físico e pela exigência mental que a sua ambição exige. Um documentário muito simples mas cativante pela forma como trata o assunto. Paris 05.2015 3/5

Sunday, February 23, 2025

O QUEBRA-NOZES

O Quebra-Nozes (Royal Ballet, 2016)
Em boa hora o cinema Majestic Passy retransmitiu o bailado Quebra-Nozes, apresentado nas últimas semanas em Covent Garden, Londres. Já conhecia esta produção inglesa, simplesmente perfeita. O evento foi em si simpático: houve um breve espetáculo de ballet por jovens bailarinas antes da retransmissão, e no intervalo, serviram um buffet de canapés e sanduíches com champanhe. Fiquei fã. Paris 01.2017 Covent Garden 5/5

O ESPETÁCULO (2016)
Soirée Tchaikovsky/Tcherniakov na Opéra de Paris

A Ópera de Paris teve a excelente ideia de apresentar numa única sessão a última ópera e o último ballet de Tchaikovsky, respetivamente Iolanta e O Quebra-Nozes. Essa opção é historicamente fundamentada pois as duas obras foram criadas na mesma noite em São Peterburgo. Que obras maravilhosas! É o milagre da Arte. Numa noite uma obra lírica e outra coreográfica foram lançadas para encantar não só o público contemporâneo mas também as gerações futuras. E em 2016 continuamos apaixonados por criações tão antigas. O libreto de Iolanta foi escrito pelo irmão do compositor, Modest, que se baseou numa peça dinamarquesa sobre uma princesa cega que desconhecia ser cega e ser princesa. O drama surge quando Iolanta terá de reconhecer a sua cegueira para que a cirurgia tenha efeito. Será o amor por um desconhecido que provocará o desenlace feliz. Parece pois uma variante da Bela Adormecida. O primeiro quadro, inteiramente feminino, é de um lirismo comovente. Os quadros seguintes mantêm por momentos esse lirismo mas apresentam cenas dramáticas. Seja como for, o encenador optou por um único cenário e por uma representação naturalista que resultou muito. 

Com o Quebra-Nozes as coisas foram muito diferentes. Para muitos foi um choque desagradável encontrar ao som da partitura de Tchaikovsky uma coreografia moderna (de Arthur Pita, Édouard Lock e Sidi Larbi Cherkaoui) com vídeo e tudo. Por vezes sublime outras irritante, a produção desconcertou o público. O argumento original foi alterado mas foi a dança que mudou completamente. Os dançarinos pareciam ter sido atacados por sarna, tão rápidos eram os movimentos repetitivos dos membros em torno do corpo. O problema é que imaginamos por trás destes movimentos a coreografia clássica e virtuosa que pertence à tradição e à memória feliz do fã de ballet. Pessoalmente o que posso acrescentar é que não gostaria de voltar a ver este Quebra-Nozes mas à primeira oportunidade verei o velho e conhecido Quebra-Nozes de Tchaikovsky e  Petipa. Paris 03.2016 NOTA 4/5

Já conhecia muito bem o Quebra-Nozes de Tchaikovsky, quase 90 minutos com a melhor música deste compositor russo, pelo menos a minha preferida. Foi composta para o famoso ballet de Lev Ivanov mas em si é uma obra-prima musical e o elemento forte do ballet. Já este, no entanto, conheço menos bem. Apenas o conhecia da televisão e nada mudou porque na semana passada revi-o numa sala de cinema, numa transmissão em direto a partir de Covent Garden. Mas em março, finalmente, poderei assistir ao Quebra-Nozes em palco, em Paris (será o meu presente de aniversário). 


Wednesday, December 18, 2024

LA BAYADÈRE

O ESPETÁCULO (ROH, 2018)
La Bayadère (Covent Gardent, 2018)
La Bayadère é um clássico do ballet russo representado regularmente em todo o mundo. Mas nem sempre foi assim. Durante um século era desconhecido no Ocidente. Uma apresentação russa na Europa permitiu a sua descoberta e consagração imediata. Há, claro, o exército das sombras, que eu descobri maravilhado há dois anos na Bastille, e que muito contribui para a resistência de La Bayadère no repertório. Paris 12.2018 cinema Publicis 4,5/5
Direção de Boris Gruzin, com Nikiya (Natalia Osipova), Solor (Vadim Muntagirov), Gamzatti (Marianela Nuñez)



Wednesday, July 10, 2024

Le sacre du Printemps (2010 & 2015)

 
Em 1913 foi criada uma das peças de dança mais famosas de sempre: Le sacre du Printemps, na coreografia de Nijinsky. A criação ficou famosa sobretudo pela música de Igor Stravinsky. Desde essa data, vários coreógrafos de renome apoderaram-se da partitura do compositor russo para fazer coreografias marcantes. Uma das melhores é a da Pina Bausch, criada em 1975 em Wuppertal, e que entrou para o reportório da Opera de Paris em 1997 e tem sido por diversas vezes apresentada no Palais Garnier. Eu tinha-a visto em 2010 e voltei agora a vê-la, na que foi a sua 50ª apresentação na Opera de Paris. Tinha uma lembrança vaga da noite de 2010 em que vi pela primeira vez a versão Bausch da Sagração da Primavera. Mas lembrava-me em primeiro lugar do palco ocupado por um terreno quadrado cheio de terra (no final os dançarinos ficam mesmo sujos de tanto rebolar na terra). E lembrava-me também da oposição masculino/feminino que marca os movimentos dos dançarinos. Homens e mulheres agem em grupo e opõem-se ao longo da coreografia até ao sacrifício da eleita. Paris, 2010 & dezembro de 2015 5/5