Ensaio de Zoë Anderson
Um livro que pôs em ordem as minhas ideias sobre o Royal Ballet, uma companhia que conheço bem. No início do século XX o ballet atingia o seu apogeu com o génio russo, nas companhias imperiais de Bolshoi e Mariinsky, assim como na companhia internacional dos Ballets Russes. Essa vaga irresistível vinda da Rússia inspirou muitos profissionais do Ocidente, como a irlandesa Ninette de Valois, que trabalhou na companhia de Diaghilev e teve a ambição de criar a primeira companhia britânica de ballet, chamada Vic-Wells nos anos 20 e 30, e depois Royal Ballet nos anos 40. Essa bailarina e coreógrafa viveu até aos 100 anos e assistiu à consagração do seu trabalho, que foi aliás muito rápida. O que é hoje o Royal Ballet nasceu em 1931, quando a companhia de Valois teve direito a apresentar um espetáculo inteiramente de dança, quando antes apresentava-se nas óperas ou como parte de um serão com outras artes dos espetáculo. Durante a guerra a companhia ficou conhecida e admirada em todo o país, devido às suas corajosas turnés durante o conflito militar. Nos anos 50 era já considerada uma das melhoras companhias de ballet do mundo e as suas turnés anuais nos EUA foram a consagração internacional máxima e uma oportunidade de sustentar financeiramente o desenvovimento do Royal Ballet. Dois coreógrafos da casa marcaram o Royal Ballet e ainda hoje alguns dos ballets por eles criaram mantêm-se ativos no repertório da companhia londrina. Foram eles Frederick Ashton e Kenneth MacMillan e ambos assinaram longos ballets narrativos à semelhança do que se fazia desde o século XIX. Também da casa era Margot Fonteyn, uma das poucas primas ballerinas assolutas da história, que reinou no ballet inglês desde os anos 30 aos anos 60. Aos 40 anos a sua carreira renasceu e atingiu o maior brilho ao formar com Rudolf Nureyev o par mais mítico do ballet, os únicos bailarinos com estatuto das estrelas pop. O livro de Zoë Anderson apenas peca por se tornar por vezes maçudo ao descrever cada temporada do Royal Ballet com algum pormenor. De resto foi uma leitura empolgante. Vila do Conde 08.2020 (4,5/5)

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