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Friday, May 22, 2026

Nutcracker (Royal Opera House, 2015)

Nutcracker no Royal Opera House (2015)
Li que em dezembro, com esta nova produção, a Royal Opera House atingia o cabo das 400 representações deste clássico de Natal! Como é um ballet voltado para as crianças, a renovação dos espetadores é natural. Baseado num conto fantástico de Hoffmann, o ballet encena os medos e os desejos de uma jovem, Clara, na noite de Natal. No primeiro ato, a árvore de Natal anima-se e assistimos a uma luta entre os ratos e o quebra-nozes, que defende Clara da ameaça dos ratos. O quebra-nozes transforma-se em Príncipe e leva Clara para o Reino dos Doces, onde assiste à apresentação de várias danças exóticas (dança do chocolate, do chá, do café, entre outras). Prefiro este segundo ato pelo virtuosismo das coreografias, uma sucessão de quadros coloridos e breves, assim como muito diferentes entre si, próprios a manter o interesse dos mais jovens. Enquanto a primeira parte inclui a participação de crianças no palco, a segunda parte exige bailarinos no apogeu das suas faculdades. Os bailarinos da ROH e toda a produção, que retoma uma coreografia já consagrada de Peter Wright, estiveram perfeitos. Paris 12.2015 NOTA 5/5

Tuesday, December 2, 2025

Perspectives (2025)


Serenade
Georges Balanchine
Against the Tide (2025)
Cathy Marston

Everywhere We Go (2014)
Justin Peck

Royal Ballet
Conductor: Martin Georgiev 
Orchestra of the Royal Opera House 

Reprodução da review de The Guardian:

Autor: Lyndsey Winship

The Royal Ballet: Perspectives review – intimate seduction, pure dance and enduring beauty
Royal Opera House, London

In an engaging triple bill, a new work from Cathy Marston explores the emotional charge of Britten’s Violin Concerto, while works by Justin Peck and George Balanchine showcase the simple joy of dancing to great music Lyndsey Winship Lyndsey Winship Sun 16 Nov 2025 11.58 GMT Share When choreographer Cathy Marston was commissioned to make a new one-act work for the Royal Ballet, she intended to create something abstract, just dancing to music – admittedly not the usual style of the woman who brought us Jane Eyre, Hamlet, Atonement and other narratives – but in the end the music she chose wouldn’t let her do it. Benjamin Britten’s Violin Concerto was written from 1938-39, his backdrop; the beginnings of the second world war, Britten – a pacifist – moving to the US with his lover Peter Pears, and the death of the composer’s mother. All these things have found their way into Marston’s piece, Against the Tide, and all for the better.

William Bracewell plays the unnamed protagonist, his dancing instinctive as ever, the whorls of his mind played out in the twisting and untangling of his body. Here come military men, with rigid demeanour and clenched fists, and Matthew Ball with satin shirt and seduction; there is Bracewell torn between duty, beauty and freedom. You can feel his torment, it reads like one long dark night of the soul.

The partnering between Bracewell and Ball is beautifully done, endlessly inventive, their bodies on convoluted trajectories that might lead to a fish dive of sorts, or a tender moment nuzzling foreheads. Marston’s choreography is never predictable but always human. Melissa Hamilton appears as the spirit of Bracewell/Britten’s mother. The score brings heightened senses, the astringent sounds of rattled nerves, ominous brass. Chloe Lamford has designed a fantastic set, a grey slate bridge rising across the stage, heavy and hopeful at the same time. Best foot forward: Justin Peck’s Royal Ballet debut – in pictures Read more The rest of the programme showcases two American choreographers who were/are very comfortable to just dancing to great music. George Balanchine built his career on it, and Justin Peck, the inheritor of Balanchine’s flame, is following suit. Both delight in the joy of pure dance, at speed, with intricate detail. In Peck’s piece, Everywhere We Go, the dancers repeatedly move on the “and”, ahead of the bar line, raring to go. Peck is the pre-eminent US ballet choreographer of the 21st century, but surprisingly, this is the first time the Royal has performed his work, and they dance it well: preppy, perky, jaunty, tightly drilled, as Peck scrolls through different permutations of dancers to a busily orchestrated score by Sufjan Stevens. There are gorgeous interventions for the whole group, as when dancers leap en masse with arms sweeping the sky then fall to Earth, it’s like a giant happy sigh. Marianela Nuñez brings her magnanimity to a slow section, with the music pared back to emotive repetition; puckish Daichi Ikarashi flies through the fast bits with infectious delight. View image in fullscreen Diaphanous … Serenade by George Balanchine. Photograph: Tristram Kenton/The Guardian Balanchine’s Serenade, from 1935, has one of the most arresting openings in ballet: the charged Tchaikovsky chords, the curtain raised on a stageful of women in long tulle skirts, hands raised to the sky. It begins like a ballet class, but it is both academic and escapist, at best the dancers diaphanous and vivacious – Leticia Dias captures it perfectly. It’s the epitome of Balanchine’s famous “ballet is woman” quote. Although since his death there’s been some reappraisal of Balanchine’s attitudes towards women, and it’s hard to watch the scene where three sylphs let down their long hair and surround lone man Ryoichi Hirano without imagining it as Balanchine’s after-hours fantasy. But there’s no denying it’s very beautiful.
Fim da reprodução do texto de L. Winship








Tuesday, July 22, 2025

FRANKENSTEIN (Liam Scarlett, 2016)

Frankenstein chega agora (pela primeira vez?) ao ballet. O jovem coreógrafo da Royal Opera House (Londres), Liam Scarlett, assina um grande ballet partindo do clássico de Mary Shelley. A partitura musical feita para esta coreografia é de Lowell Lieberbann e a produção coube ao The Royal Ballet e ao San Francisco Ballet. Liam Scarlett utiliza com talento e com um sentido narrativo notável o essencial do vocabulário coreográfico neoclássico. É muito fácil acompanhar a história de Victor Frankenstein (o cientista) e da sua criatura apenas através do movimento. Talvez esta peça não se torne num clássico como os seus responsáveis desejam, mas não há dúvida de que corresponde ao que de melhor, mais belo e mais popular se pode hoje ver em termos de criações coreográficas. Londres 05.2016 Covent Garden 4/5

Thursday, July 17, 2025

Cinderella (Frederick Ashton, 1948)

Londres 2023 Covent Garden
Moira Shearer e Michael Somes criaram, nos papeis principais, este primeiro ballet em três actos feito por Frederick Ashton para a Royal Opera House, em 1948. Com música de Serguei Prokofiev, este ballet é baseado no célebre conto de Charles Perrault. Um espectáculo deslumbrante! Londres 04.2023 Covent Garden 5/5




McGregor Wheeldon MacMillan (ROH, 2023)

Wayne McGregor. Untitled, 2023

Christopher Wheeldon. Corybantic Games (2008)

Kenneth MacMilan. Anastasia III Act (1971)

Londres 06.2023 Covent Garden

McNicol Ballet Collective (Linbury Theatre, 2023)

Londres 06.2023 ROH Linbury Théâtre 4/5

Of Silence

Bates Beats

Moonbend
(World Premiere)

MacMillan, Ashton & Noureef (ROH, 2019)

Concerto (Kenneth MacMillan, 1966)

Enigma Variatons (Frederick Ashton, 1968)
Raymonda, 3°acto (Rudolf Noureef, 1983)

Um triple bill de sonho. Três coreógrafos que marcaram a segunda metade do século 20 com o seu trabalho realizado para as grandes companhias de ballet. Três peças que os representam bem e são cássicos em si. Gostei especialmente de conhecer Enigma Variations, um belo retrato de Elgar (o autor da música) e da sua família. Foi criado pelo London Royal Ballet. Concerto (1966), foi criado pelo Berliner Ballett em 1966 na Deutsche Oper (Berlin), com coreografia de Kenneth MacMillan e música de Chostakovitch. Por fim Raymonda, revista por Rudolf Noureef em 1983 para o Ballet de l'Opéra de Paris. Londres 11.2019 Covent Garden 4,5/5

Dança no Covent Garden

Strapless
Coreografia: Christopher Wheeldon (2016)
Música: Mark-Anthony Turnage
The Vertiginous Thrill of Exactitude
Coreografia: William Forsythe
Criação: Ballet Frankfurt, 1996
Música: Schubert
Tarantella
Coreografia: Georges Balanchine
Música: Louis Moreau Gottschalk (Grande Tarantelle)
Symphonic Dances
Coreografia: Liam Scarlett (2017)
Música: Rachmaninoff (Symphonic Dances)

Royal Opera House, 05.2017

Winter's Tale (Wheeldon, 2016)

Winter's Tale é uma conhecida obra de Shakespeare e também, desde 2014, um bailado criado pelo Royal Ballet de Londres. Foi agora reposto pela primeira vez desde a criação. Um belo espetáculo que, no entanto, não me agradou tanto quanto a recente criação de Frankenstein. Londres 06.2016 Covent Garden 3/5

Sunday, February 23, 2025

O QUEBRA-NOZES

O Quebra-Nozes (Royal Ballet, 2016)
Em boa hora o cinema Majestic Passy retransmitiu o bailado Quebra-Nozes, apresentado nas últimas semanas em Covent Garden, Londres. Já conhecia esta produção inglesa, simplesmente perfeita. O evento foi em si simpático: houve um breve espetáculo de ballet por jovens bailarinas antes da retransmissão, e no intervalo, serviram um buffet de canapés e sanduíches com champanhe. Fiquei fã. Paris 01.2017 Covent Garden 5/5

O ESPETÁCULO (2016)
Soirée Tchaikovsky/Tcherniakov na Opéra de Paris

A Ópera de Paris teve a excelente ideia de apresentar numa única sessão a última ópera e o último ballet de Tchaikovsky, respetivamente Iolanta e O Quebra-Nozes. Essa opção é historicamente fundamentada pois as duas obras foram criadas na mesma noite em São Peterburgo. Que obras maravilhosas! É o milagre da Arte. Numa noite uma obra lírica e outra coreográfica foram lançadas para encantar não só o público contemporâneo mas também as gerações futuras. E em 2016 continuamos apaixonados por criações tão antigas. O libreto de Iolanta foi escrito pelo irmão do compositor, Modest, que se baseou numa peça dinamarquesa sobre uma princesa cega que desconhecia ser cega e ser princesa. O drama surge quando Iolanta terá de reconhecer a sua cegueira para que a cirurgia tenha efeito. Será o amor por um desconhecido que provocará o desenlace feliz. Parece pois uma variante da Bela Adormecida. O primeiro quadro, inteiramente feminino, é de um lirismo comovente. Os quadros seguintes mantêm por momentos esse lirismo mas apresentam cenas dramáticas. Seja como for, o encenador optou por um único cenário e por uma representação naturalista que resultou muito. 

Com o Quebra-Nozes as coisas foram muito diferentes. Para muitos foi um choque desagradável encontrar ao som da partitura de Tchaikovsky uma coreografia moderna (de Arthur Pita, Édouard Lock e Sidi Larbi Cherkaoui) com vídeo e tudo. Por vezes sublime outras irritante, a produção desconcertou o público. O argumento original foi alterado mas foi a dança que mudou completamente. Os dançarinos pareciam ter sido atacados por sarna, tão rápidos eram os movimentos repetitivos dos membros em torno do corpo. O problema é que imaginamos por trás destes movimentos a coreografia clássica e virtuosa que pertence à tradição e à memória feliz do fã de ballet. Pessoalmente o que posso acrescentar é que não gostaria de voltar a ver este Quebra-Nozes mas à primeira oportunidade verei o velho e conhecido Quebra-Nozes de Tchaikovsky e  Petipa. Paris 03.2016 NOTA 4/5

Já conhecia muito bem o Quebra-Nozes de Tchaikovsky, quase 90 minutos com a melhor música deste compositor russo, pelo menos a minha preferida. Foi composta para o famoso ballet de Lev Ivanov mas em si é uma obra-prima musical e o elemento forte do ballet. Já este, no entanto, conheço menos bem. Apenas o conhecia da televisão e nada mudou porque na semana passada revi-o numa sala de cinema, numa transmissão em direto a partir de Covent Garden. Mas em março, finalmente, poderei assistir ao Quebra-Nozes em palco, em Paris (será o meu presente de aniversário). 


Três coreografias com música de Leonard Bernstein

 

Corybantic Games (Christopher Wheeldon, 2018)

Yugen (Wayne McGregor, 2018)

The Age of Anxiety (Liam Scarlett, 2014)
Em março passado vi no cinema a transmissão em direto do Covent Garden (Londres) de três excelentes coreografias inspiradas pela música de Leonard Bernstein. A que mais me comoveu foi a de Liam Scarlett, um bailado narrativo que lembra os filmes musicais de Hollywood dos anos 50. A história de The Age of Anxiety (criada em 2014) desenvolve-se ao som da segunda sinfonia de Bernstein e, tal como a música, foi inspirada pelo poema modernista homónimo de W.H. Auden. Quatro pessoas encontram-se num bar em Nova Iorque, mais tarde convivem no apartamento de uma delas, e flirts fazem-se e desfazem-se entre eles. A dança remete demasiado à dança do passado, dos anos 50 e mesmo do cinema, mas como eu adoro os musicais desse período, a peça de Scarlett agradou-me particularmente. Paris 5.2018 Cinema Publicis 4/5

Yugen (criação, 2018)
coreografia de Wayne McGregor
música de Leonard Bernstein (Chichester Psalms)

The Age of Anxiety (criada em 2014)
coreografia de Liam Scarlett
música de Leonard Bernstein (Sinfonia n°2)

Corybantic Games (criação, 2018)
coreografia de Christopher Wheeldon, 
música de Leonard Bernstein (Serenade)

Wednesday, October 2, 2024

L'Histoire de Manon ou Manon (Kenneth MacMillan, 1974)

O ESPETÁCULO (Garnier, 2023)

Paris 06.2023 Palais Garnier 5/5

Brilhante espetáculo de Kenneth MacMillan sobre a heroína do século 18 francês. 

O ESPETÁCULO (Covent Garden, 2019)

 
Tudo começou em 1731, quando foi publicado o romance Manon Lescaut, de Abbé Prévost, um clássico que nunca saiu dos escaparates e nunca perdeu o interesse do público, inclusive de grandes nomes da arte europeia. No século seguinte o romance inspirou duas óperas que ficaram para a história: Manon (Massenet, 1884) e Manon Lescaut (Puccini). No século 20 foi o coreógrafo do Royal Ballet de Londres, Kenneth MacMillan, que se interessou por Manon e fez a sua versão da história (L'Histoire de Manon, em certos países, ou Manon, em Inglaterra, onde foi criada em 1974). Pois o bailado de MacMillan é absolutamente maravilhoso, o melhor espetáculo que vi nesta passagem por Londres. Na noite em que o vi os bailarinos foram Akane Takada (Manon), Alexander Campbell (Des Grieux), James Hay (Lescaut). A direção coube a Koen Kessels. Londres 11.2019 ROH 5/5

Thursday, July 4, 2024

Noite de ballet no Royal Opera House (2014)

 

The Dream (Frederick Ashton, 1964)

A noite começou com The Dream, um clássico de Frederick Ashton, que teve hoje o desempenho fabuloso de Steven McRae no papel de Oberon (na foto). A música é de Felix Mendelssohn, e tem Laura Morera e Steven McRae nos protagonistas. Foi criado em 1964, pela mesma companhia Royal Opera Ballet.
Connectome (Alastair Marriott, 2014)

Em seguida, vimos Connectome, que foi a estreia absoluta deste triplo programa de ballet. A coreografia de Alastair Marriott e a música de Arvo Part são excelentes, mas quem brilhou mesmo foi Natalia Osipova na protagonista.
The Concert (Jerome Robbins, 1956)

Por fim, The Concert (1956), de Jerome Robbins, com música de Chopin, é a mais divertida coreografia que vi nos palcos, em tempos em Paris, agora em Londres. O sonho (a rêverie, a fantasia) tem um peso importante neste trabalho de Robbins: um grupo de espetadores prepara-se para assistir a um concerto de piano e cada um reage e vive a música de forma diferente. Ri até às lágrimas.

Noite de ballet no Royal Opera House, novembro 2014

Wednesday, July 3, 2024

The Sleeping Beauty (2017)

The Sleeping Beauty (Covent Garden, 2017)
Desta vez o título do famoso ballet de Tchaikovsky/Petipa vai em inglês porque a produção que vi hoje pertence ao Royal Ballet, de Londres. Como sempre acontece com os ballets clássicos a sala do Covent Garden tem estado esgotada, por todo o lado o fenómeno repete-se: as pessoas querem ver os clássicos. Quanto à Bela Adormecida, só me ocorre dizer que este famoso conto parece ter sido pensado como argumento de ballet, de tão natural é a sua transposição para o mundo do ballet romântico. Os três primeiros actos correspondem à história que todos conhecemos, mas o último acto faz entrar para um baile apoteótico (que festeja o casamento de Aurora) várias das personagens dos contos maravilhosos, como o Chapeuzinho Vermelho e o Lobo Mau. 
Londres: Covent Garden 5/5