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Tuesday, July 22, 2025

FRANKENSTEIN (Liam Scarlett, 2016)

Frankenstein chega agora (pela primeira vez?) ao ballet. O jovem coreógrafo da Royal Opera House (Londres), Liam Scarlett, assina um grande ballet partindo do clássico de Mary Shelley. A partitura musical feita para esta coreografia é de Lowell Lieberbann e a produção coube ao The Royal Ballet e ao San Francisco Ballet. Liam Scarlett utiliza com talento e com um sentido narrativo notável o essencial do vocabulário coreográfico neoclássico. É muito fácil acompanhar a história de Victor Frankenstein (o cientista) e da sua criatura apenas através do movimento. Talvez esta peça não se torne num clássico como os seus responsáveis desejam, mas não há dúvida de que corresponde ao que de melhor, mais belo e mais popular se pode hoje ver em termos de criações coreográficas. Londres 05.2016 Covent Garden 4/5

Soirée Balanchine (Opéra de Paris, 2016)

Violin Concerto (1972)
Coreografia de George Balanchine
Música de Igor Stravinsky
Mozartiana (1981)
Coreografia de George Balanchine
Música de Piotr Ilyitch Tchaikovski
Brahms-Schönberg Quartet (1966)
Coreografia de George Balanchine
Música de Johannes Brahms e Arnold Schönberg

Paris 11.2016 Opéra de Paris - Palais Garnier

Thursday, July 17, 2025

Winter's Tale (Wheeldon, 2016)

Winter's Tale é uma conhecida obra de Shakespeare e também, desde 2014, um bailado criado pelo Royal Ballet de Londres. Foi agora reposto pela primeira vez desde a criação. Um belo espetáculo que, no entanto, não me agradou tanto quanto a recente criação de Frankenstein. Londres 06.2016 Covent Garden 3/5

Thursday, July 25, 2024

Millepied e Robbins brilham no Palais Garnier (2016)

 
Abrindo o programa de ballet do Palais Garnier, Jérôme Bel propôs Tombe, que desconcertou o público. Entre teatro e dança, foi mais uma entrada do que um prato principal e foi sem surpresa assobiada e pouco aplaudida pelo público. Depois da não-dança de Bell, Benjamin Millepied, diretor demissionário da dança da Opéra de Paris, apresentou La nuit s'achève (2016), uma bela coreografia para três casais e os seus jogos de amor, sobre a sonata Appassionata de Beethoven. Foi muito aplaudido, sobretudo por ser o seu adeus a esta casa. 
Para o fim o melhor: The Goldberg Variations de Bach por Jerome Robbins (1971). Dezenas de dançarinos em palco para interpretar uma peça de 80 minutos em que Robbins tenta um contraponto coreográfico à poesia de Bach. Robbins utiliza o vocabulário coreográfico clássico com uma liberdade moderna e do princípio ao fim, os séculos XX e XVIII dialogam para produzir uma das coreografias mais belas que conheço. Paris 02.2016 Palais Garnier 5/5

Ratmansky Balanchine Robbins Peck (2016)

 
O recente programa de dança da Opera de Paris é marcado pela sobriedade. Nada de peças narrativas, nem adereços nem cenários. Apenas um piano sobre o palco para a interpretação das obras de Scarlatti, Chopin, Stravinsky e Glass. A primeira parte representa a dança do século XX devedora do Romantismo clássico. Seven Sonatas (2009), com coreografia de Alexei Ratmansky, e Other Dances (1976), coreografado por Jerome Robbins, apresentam casais que dançam juntos ou a solo exprimindo acima de tudo o amor. No fundo são coreografias marcadas pela graciosidade e rêverie que vêm desde Giselle e que continuam a inspirar coreógrafos, bailarinos e... público. Na segunda parte, a música do século XX (Stravinsky e Glass) inspirou coreografias de George Balanchine (Duo Concertant, 1972) e Justin Peck (In Creases, 2012) que não buscam necessariamente uma beleza clássica do movimento, introduzindo elementos de humor e de teatro e momentos em que o grupo e não o casal é o centro da ação. O fã de ballet sai consolado de uma soirée destas. Paris 03.2016 Palais Garnier 5/5

Tuesday, July 9, 2024

ROMEO AND JULIET (1965)

Matthew Bourne's Romeo and Juliet
Paris 2024 mars Théâtre du Châtelet 4/5
 
Vi este Romeo and Juliet de Kenneth MacMillan há quatro anos, no cinema. Agora vi-o no Covent Garden, onde esta coreografia já clássica foi criada, em 1965. Não me canso de admirar a música de Prokofiev, que no fundo é o que tem inspirado tantos coreógrafos e bailarinos... Londres, junho de 2019 ROH 5/5

Só para ouvir a maravilhosa peça de Prokofiev já vale a pena ir ver o bailado Roméo et Juliette, mas depois há a arte dos bailarinos da Opéra de Paris e a coreografia consagrada de Rudolf Noureev, criada na mesma Opéra em 1984. A representação a que assisti foi a 144a desde a sua criação! Paris 04.2016 5/5

Ontem pude assistir ao ballet Romeo and Juliet, com música de Sergueï Prokofiev (1935), coreografado por Kenneth MacMillan em 1965 para o Royal Ballet. Faz 50 anos portanto que foi criado no Royal Opera House, Covent Garden, com Margot Fonteyn e Rudolf Nureyev como protagonistas. Volta e meia o Convent Garden repõe esta famosa criação que, pelo menos no Reino Unido e nos EUA, é mais popular do que a produção de referência, com coreografia de Leonid Lavrovski (Kirov, 1940).
Já conhecia bem a música de Sergueï Prokofiev, uma das grandes obras musicais de ballet do século passado, mas ignorava que tantos coreógrafos quiseram deixar a sua marca num ballet consagrado pelo russo Lavroski: Kenneth MacMillan, Rudolf Nureyev, John Cankro, John Neumeier, Frederick Ashton, Angelin Preljocaj, entre outros. Impressionante.
MacMillan assinou uma das melhores coreografias de Romeo and Juliet. Insere-se na tradição do ballet clássico mas tem vários elementos modernos, atingindo um equilíbrio notável entre as duas tendências contrárias. Vi a transmissão em direto do Covent Garden no cinema Publicis (Champs-Elysées): a realização apenas pecou por ter demasiados grandes planos. Um pormenor insignificante face a tanta beleza no palco e no ecrã. Paris 09.2015 Publicis 5/5

GISELLE (1841)

O ESPETÁCULO (P. Garnier, 2025)

O ESPETÁCULO (TCE, 2023)
Paris 01.2023 Théâtre des Champs-Elysées


O ESPETÁCULO (P. Garnier, 2022)
Paris 06.2022 Palais Garnier

O ESPETÁCULO (P. Garnier, 2020)
Giselle (Adam, 1841)
Uma das obras mais perenes e paradigmáticas do Romantismo: o amor entre dois jovens está acima da condição social dos mesmos (1°acto) e vive para além da morte (2°acto). A criação do ballet teve coreografia original de Jean Coralli e Jules Perrot, música de Adolphe Adam e livret de Théophile Gautier. A coreografia original foi adaptada por Patrice Bart e Eugène Polyakov em 1991 e foi retomada na produção a que assisti no Palais Garnier em fevereiro de 2020. A direção musical coube a Koen Kessels, que dirigiu a Orchestre Pasdeloup. No palco tivemos as Étoiles, os Premiers Danseurs e o Corps de Ballet da Opéra de Paris. Os protagonistas: Léonore Baulac (Giselle), Germain Louvet (Albrecht e Loys) e François Alu (Hilarion, Garde-Chasse). Paris, março de 2020 Palais Garnier 5/5

O ESPETÁCULO (TCE, 2022)
Giselle (Akram Khan, 2016)
O English National Ballet veio apresentar a Paris a soberba coreografia de Akram Khan para o clássico Giselle (1841). Na verdade é uma peça completamente nova, retomando do original a história nos seus traços largos, devidamente atualizada para um contexto contemporâneo. Mas o espírito encantatório de Giselle mantém-se nesta nova leitura. A música de Vincenzo Lamagna é hipnótica, a dança individual e de grupo é de suspender o fôlego por vezes, e aquele muro enorme que separa os explorados dos exploradores, a vida da morte é um grande achado cénico. Quando é que poderei rever este espectáculo incrível?
Paris dezembro de 2022 Sala Théâtre des Champs-Elysées, English National Ballet 5/5

O ESPETÁCULO (P. Garnier, 2016)
Esta produção não foi recebida de forma entusiástica nem sequer calorosa, pelo menos na noite em que assisti ao ballet. Mas que importa? A beleza deste clássico do Romantismo mantem-se intacta mesmo numa produção mediana. Nunca me canso de ver o segundo acto com as Willis e a sua rainha Myrtha, todas de branco dando vida ao bosque dominado por elas. Quem me dera ver Giselle todos os anos... Paris 06.2016 Palais Garnier 5/5

Thursday, July 4, 2024

Jiri Kylián (Palais Garnier, 2016)

 

Jiri Kylián (Palais Garnier, 2016)
O Ballet da Opéra de Paris apresenta por estes dias um programa triplo dedicado a Jiri Kylián. A primeira coreografia, Bella Figura (1995) foi a que mais entusiasmou, pela beleza plástica e coreográfica e também pela músicas selecionadas. As outras duas obras foram Tar and Feathers (2006) e a antiga Symphonie de Psaumes (1978), que se inspira na peça homónima de Igor Stravinsky. Paris, novembro? 2016 P. Garnier 4/5