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Sunday, February 23, 2025

Et puis nous danserons (Levan Akin, 2019)

Et puis nous danserons é um belo e inesperado filme vindo da Georgia. A dança é mostrada como um campo de batalha entre o conservadorismo e a modernidade. Nas aulas de dança tradicional (mas exigente como o ballet clássico) aprende-se e preserva-se a virilidade da tradição e qualquer postura que a ponha em causa é eliminada. Tal como os homossexuais na sociedade georgiana, que são postos nas margens (travestis, prostitutos de rua), e nunca são aceites na vida familiar normal. Dois jovens bailarinos vão apaixonar-se mas o meio onde se movimentam é hostil à sua paixão e acabarão por seguir caminhos opostos (o casamento de fachada e o exílio no ocidente). Paris 11.2019 3,5/5 

Cunningham (Alla Kovgan, 2019)

Documentário interessante sobre o percurso de Merce Cunningham, um dos criadores da dança moderna americana. Começou do nada, digamos assim, com amigos que partilhavam a mesma busca do novo, entre os quais os hoje gigantes Rauschenberg e John Cage, que contribuíam com os cenários e a música das primeiras obras. Foi lenta a aceitação da arte de Cunningham, estranha ao que se fazia no mundo da dança. Mas acabou por se impor, assim como as ideias do coreógrafo sobre a sua arte. Paris 01.2020 Beaubourg 3/5

Friday, August 9, 2024

Mr Ga Ga (Tomer Heymann, 2015)

 
Há documentários que se revelam extraordinários por darem a conhecer de forma mais do que convincente personalidades que o espetador ignorava até então. Foi o que me aconteceu com Mr Ga Ga, sobre o célebre coreógrafo israelita Ohad Naharin, que começou a dançar quando já passava dos 20 anos. O documentário dá-nos a ver o trabalho do coreógrafo e o dos seus fabulosos dançarinos. Justamente, com o tempo Ohad passou a considerar que o que se chama de coreografia inclui a interpretação pessoal de cada dançarino. O filme termina com uma canção da fase inglesa de Caetano Veloso que me deixou emocionado, pois foi o justo remate de tudo aquilo que tinha acabado de ver. Paris 06.2016 4/5