Uma das melhores autobiografias que me foi dado a ler. Maya Plisetskaya foi prima ballerina assoluta do Ballet Bolshoi (Moscovo) e simplesmente uma das maiores bailarinas da história. Mas a sua vida e o seu trabalho, apesar de marcados pela excelência e longevidade (dançou durante mais de 50 anos), tiveram uma dimensão política extraordinária. Foi um dos grandes ícones da arte russa mais críticos do sistema soviético; apesar disso, nunca passou para o Ocidente. A partir dos anos 60 viajou muito e dançou para coreógrafos como Roland Petit, Maurice Béjart ou Alberto Alonso. Percorreu o mundo com O Lago dos Cisnes (que dançou mais de 800 vezes) e com obras feitas para ela (Carmen Suite, Anna Karenina, A Dama do cãozinho). Foi sempre fiel ao seu Bolshoi, a sua verdadeira casa. Por ele e pelo marido, o compositor Rodion Schedrin, nunca abandonou a Rússia. O seu pai foi morto e a mãe presa pelas autoridades soviéticas e só o talento extraordinário de Maya a poupou ao mesmo destino dos pais. As memórias de Plisetskaya são acima de tudo um incrível documento sobre a vida dos artistas sob o regime totalitário soviético. O original russo é de 1994, a tradução francesa é do ano seguinte: Moi, Maia Plisetskaya (Gallimard, 1995, tradução de Lily Denis). Li a tradução inglesa: I, Maya Plisetskaya (Yale UP, 2001). Vila do Conde 07.2020 (5/5)

No comments:
Post a Comment